04/02/2021

Santuário de Fátima: um encontro com a Virgem Maria

Quem visita o Santuário de Fátima, na cidade de mesmo nome, em Portugal, certamente espera conhecer os lugares onde a Virgem Maria teria aparecido, por seis vezes, a três pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. Mas, ao chegar ao local, mesmo os que conhecem suas imagens mais recentes,
surpreendem-se ao encontrar uma estrutura moderna e imensa, composta por basílicas e monumentos, que em nada coincide com a imagem rural que os católicos guardam dos locais das aparições. Diante da  grandiosidade do complexo, e da quantidade de atrativos – que inclui duas basílicas e vários monumentos – , é preciso informar-se anteriormente ou contar com a ajuda de um bom conhecedor, para não acabar saindo de lá sem identificar os pontos sagrados.

Aparições da Virgem


O primeiro desses pontos é a Capelinha das Aparições, considerada o coração do santuário por marcar olugar onde teriam ocorrido cinco das seis aparições de Maria. A capelinha foi construída em 1919, ao
lado da azinheira, e com dinheiro de esmolas, para atender um pedido que teria sido feito pela própria Virgem: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário”. Bombardeada em 1922 – não se sabe a causa nem a autoria – , foi reconstruída no mesmo ano.

Bem próximo à Capelinha, encontra-se um pedestal que marca o local exato de uma azinheira acima da qual a Virgem foi vista. Sobre esse pedestal, foi colocada a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que se mantém até hoje. A escultura,
com 1 metro e 37 centímetros ee pesa 19 quilos. Foi feita em madeira pelo escultor português José Ferreira Thedim, com base em indicações da pastora Lúcia e inspirada em uma imagem de Nossa Senhora da Lapa.

As aparições de Nossa Senhora do Rosário de Fátima teriam ocorrido entre maio e outubro de 1917, sempre no dia 13 – que seria a data indicada pela própria virgem –, com exceção do mês de agosto, quando o encontro teria se dado de surpresa, seis dias depois, em uma propriedade chamada Valinhos, porque no dia marcado os pastorinhos estavam presos. É que o administrador de Ourém, jurisdição à qual Fátima pertencia na época, queria obrigá-los a revelar o “Segredo” recebido da Virgem na aparição anterior, acreditando que tivesse relação com um fato político.

Para conhecer o local da quarta aparição, é preciso sair da área do santuário e seguir o chamado Caminho dos Pastorinhos, ao longo do qual foi instalada uma Via Sacra. O monumento que marca a aparição de agosto, está localizado entre a oitava e a nova estações e foi projetado pelo arquiteto Antonio Lino. Dentro dele, há uma imagem da Virgem esculpida por Maria Amélia Carvalheira da Silva. 


Aparições do Anjo


Menos divulgados do que as aparições da Virgem, mas também celebradas em Fátima, são as aparições do Anjo. A primeira delas teria ocorrido em 1915, apenas como um clarão, e, as outras três teriam se dado de forma mais explítica, no ano seguinte. Os encontros de 1916 ocorreram na pequena aldeia de Aljustrel, a cerca de 2 quilômetros do santuário, onde viviam os pastorinhos. O primeiro e o último tiveram como cenário a Loca do Cabeço, lugar que hoje abriga imagens do anjo e dos videntes esculpidas pela mesma Maria Amélia Carvalheira da Silva. Já o segundo encontro aconteceu em volta do Poço do Arneiro, localizado no quintal da casa de Lúcia, onde os três meninos costumavam brincar. Nele também há uma representação do encontro esculpida por Maria Irene Vilar.

Quem vai a Aljustrel conhecer os locais das aparições do Anjo, não pode deixar de visitar as casas dos pastorinhos. Em uma delas, viviam os irmãos Jacinta e Francisco. Na casa vizinha, morava Lúcia, que era prima deles. Ambas foram construídas no século 19 e guardam móveis e objetos originais. A casa de Lúcia foi cenário dos primeiros interrogatórios feitos aos videntes pelas autoridades eclesiásticas. No quintal, além do Poço do Arneiro, sobrevivem as figueiras sob as quais os três pastorinhos brincavam na época das aparições.

Na mesma vizinhança, encontra-se a casa que pertenceu a Maria Rosa, madrinha de Lúcia,
transformada, em agosto de 1992, na Casa-Museu de Aljustrel. Nela está reunido um acervo que ajuda a entender a vida cotidiana dos pastorinhos e das famílias de sua época.

Embora fique fora dos muros do Santuário, a aldeia de Aljustrel é, para muitos, o verdadeiro lugar de conexão com a Virgem Maria, pois é ali que se consegue ter um contato mais íntimo com a realidade dos pequenos videntes, escolhidos por ela para receber sua mensagem. E, ao voltarmos de lá, fica mais fácil entender a importância, para os católicos, da Capelinha das Aparições.

Santuário de Fátima - Fátima e Aljustrel - Portugal - Europa


Texto: Sylvia Leite

Jornalista - MTB: 335 DRT-SE / Linkedin / Lattes 

Fotos: 

(1) Sylvia Leite
(2) Centro Televisivo Vaticano - Wikimedia - CC BY 3.0
(3) János Korom Dr. - Wiena, Austria - Wikimedia - CC BY-SA 2.0
(4) Castinçal - Wikimedia - CC BY-SA 3.0

Participação especial: Alessandra Oliveira


Referências:

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Para ler sobre outros 'lugares de memória', clique nos links abaixo:
Igreja da Pampulha

14 comentários:

  1. Excelente perspectiva analítica do Santuário. Foi no ponto!

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    1. A conversa que tivemos foi fundamental para eu chegar nessa abordagem. Valeu!!! beijo

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  2. Excelente perspectiva analítica do Santuário. Foi no ponto!

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  3. É uma visita que aquece o coração e a alma. Preciso ir lá.

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  4. Legal Silvinha. Dei uma revisitada em um dos meus passeios.

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  5. Ah Sylvia, que post maravilhoso. Quando estive no Santuário de Fátima em 2019 me emocionei muito. Foi um desejo de viagem que realizei.

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  6. Sylvia, que post maravilhoso ! Eu tive a oportunidade de conhecer o Santuário de Fátima em 2017, no mesmo ano que foi comemorado o centenário e tive a oportunidade de ver o papa de pertinho, foi maravilhoso

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    1. Que legal. Essa experiência eu não tive. Nunca vi nenhum papa. Gostaria dr encontrar o papa Francisco.

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  7. Que post rico de informações preciosas. O Santuário de Fátima é um dos locais que sonho conhecer em Portugal. Um destino que já está em meu planejamento. Adoro a história de lá. Amei o post. Obrigada.

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