17/05/2020

Bixiga: um pedaço de São Paulo que abriga gente de toda parte


A região do Bixiga (ou Bexiga), na zona central de São Paulo, ficou conhecida pelo Brasil afora como o reduto dos italianos porque no início do século 20 recebeu milhares de imigrantes da Calábria, que encheram suas ruas de cantinas e eventos típicos, como é o caso da Festa de Nossa Senhora Achiropita, a mais importante da colônia. O que nem todo mundo sabe, especialmente os que moram em outros estados ou países, é que tanto quanto dos italianos, o Bixiga é também de pelo menos mais dois grupos: os negros e os nordestinos.






Embora o início oficial do Bixiga seja o ano de 1878, quando o loteamento da área foi lançado com festa, na presença de Dom Pedro II, há registros da ocupação do local no século 16. Naqueles primeiros tempos, o lugar tinha uma mata fechada e foi povoado por negros que fugiam de seus 'senhores' quando eram colocados à venda em feiras realizadas no Vale do Anhangabaú.

Não é preciso pesquisar muito para encontrar os sinais dessa ocupação. A Rua Treze de Maio, por exemplo, uma das mais conhecidas de São Paulo e a principal rua de comércio da região, recebeu esse nome em alusão à data de assinatura da lei que pôs vim à escravidão, a famosa Lei Áurea. Outra referência à presença negra é a escadaria do Bixiga, considerada um marco da aproximação entre os brancos - que viviam em mansões no Morro dos Ingleses, próximo à Avenida Paulista -, e os negros, que viviam na parte baixa da cidade. Anualmente, a escadaria é lavada no dia da Abolição, em um ritual semelhante aos das festas de largo da Bahia.


A maior expressão da comunidade negra do Bixiga, no entanto, talvez esteja na escola de samba Vai-Vai, criada por sambistas do bairro que animavam festas em um clube de futebol chamado Cai Cai. Quando surgiu,em 1930, a Vai-Vai era apenas um bloco carnavalesco - a maneira encontrada por Henricão (o compo sitor Henrique Felipe da Costa), Fredericão (Frederico Penteado) e Seo Loro (Lourival de Almeida) para compartilhar o samba que faziam com a população do bairro que não podia entrar no clube de futebol. Mas o bloco cresceu e, em 1972, virou escola, e, como escola, tornou-se uma das mais importantes do país, com 15 títulos de campeã e 10 de vice.


Não se pode esquecer, também, a Pastoral Afro, que funciona há mais de 30 anos na Igreja da Achiropita realizando atividades religiosas e culturais sincréticas, entre as quais se destacam a Festa de São Benedito - o Santo Siciliano, filho de escravos -, a Festa da Mãe Negra e os Batismos Inculturados, mais conhecidos como Batismos Afros. São cerimônias católicas que recebem esse nome por incluírem a liturgia 'inculturada' dos povos negros: cantos em ritmo de samba; danças que louvam a Deus com o corpo, roupas típicas que incluem batas, turbantes e amarrações; além da bênção com água-de-cheiro. Ao final, a criança é vestida com 'a segunda roupa' - uma bata afro - que simboliza sua introdução nas duas comunidades, a cristã e a negra.



Os últimos a chegar ao Bixiga foram os nordestinos, a partir, principalmente, da década de 1970 , vindos de vários estados da região em busca de oportunidades. Assim como os italianos, escolheram o local motivados por dois desejos: pagar aluguéis baratos, geralmente em cortiços, e ter fácil acesso ao centro da cidade. E, também como eles, trouxeram suas receitas e temperos, mas o cenário gastronômico já estava traçado. Com isso, muitos acabaram indo trabalhar em cantinas, onde eram admirados pela facilidade que tinham de familiarizar-se com uma culinária diferente da sua - o que fez os sabores nordestinos ficarem restritos especialmente aos ambientes familiares e aos botecos. Somente um restaurante típico sobressai entre as inúmeras cantinas: é o Rancho Nordestino. Pela mesma razão, as festas e a música desses imigrantes também não ganharam força na região, restringindo-se, atualmente, a uma ou outra casa noturna ou centro cultural onde se pode ouvir e dançar forró e outros ritmos, como o Mundo Pensante e o Kibixiga.



Apenas uma entidade instalada no Bixiga pode ser considerada exclusivamente nordestina. Trata-se da Casa Mestre Ananias - um espaço cultural que se define como um centro paulistano de capoeira e tradições baianas. Seu criador, Ananias Ferreira, veio de São Feliz, interior da Bahia, e a cultura que difunde por meio da entidade tem raízes africanas.

Essa pouca visibilidade, unida à escassez de registros sobre a influência dos nordestinos no Bixiga, acaba escondendo sua presença no local, mas quem conversa com moradores e frequentadores assíduos pode ter uma surpresa. Um dos fundadores e atual diretor de Museu Memórias do Bixiga, Paulo Santiago de Augustinis , por exemplo, afirma que pelo menos 60 por cento dos comerciantes da rua Treze de Maio, entre a as ruas Santo Antônio e Brigadeiro, são nordestinos e que em toda a região eles e seus descendentes têm uma forte presença tanto no comércio como nas instituições. O próprio Paulo é nascido em Caxias, interior do Maranhão, filho de mãe nordestina e pai italiano, e chegou ao Bixiga ainda adolescente, no início da década de 1960.


Mas italianos, negros e nordestinos são apenas os principais grupos que compõem a aquarela do Bixiga. Ali chegaram também espanhóis e portugueses, tanto que uma de sua mais tradicionais padarias tem o nome do escritor lusitano Luís de Camões.

O Bixiga de Adoniran       



Toda essa mistura trouxe poesia e inspirou inúmeros artistas. Um dos mais lembrados, embora não seja filho desse terrtório*, é Adoniran Barbosa, que o retratou em suas canções, como "Saudosa Maloca", inspirada em sua experiência nos cortiços da área, e "Um samba no Bexiga", que conta a história de uma briga em um restaurante da região.


João Rubinato - esse era seu nome verdadeiro - nasceu em Valinhos, interior de São Paulo, em 1910, mas era filho de italianos e teve um motivo a mais para morar no Bixiga quando chegou a São Paulo para iniciar sua carreira de cantor: a proximidade com o centro, onde ficava a maioria das emissoras de rádio. Foi ali que o compositor conheceu sua primeira mulher Olga Krum, com quem se casou, em 1936, na Igreja da Achiropita. E foi ali também que frequentou bares, restaurantes e rodas de samba mesmo depois de já ter se mudado para utra região da cidade.

A lembrança de Adoniran está presente em cada esquina do Bexiga e, em algumas delas, esta afirmação torna-se literal pois a imagem do compositor aparece nos semáforos de pedestres, substituindo as tradicionais setas. Mas isso não é tudo. As homenagens oficiais estão na Praça Dom Orione, que abriga seu busto, e em uma rua batizada com seu nome.

A memória em cada esquina 



Registros da carreira de Adoniran e de sua passagem pelo bairro estão também no Museu Memória do Bixiga, que passou cerca de dez anos fechado por problemas financeiros e reabriu em 2018 com recursos da comunidade. O museu tem mais de 1 mil e 500 itens colhidos na vizinhança por um de seus fundadores, Armando Puglise - o famoso Armandinho do Bixiga - ou doados por moradores e frequentadores da região.

Ao seu lado, um outro ponto de memória: o Museu dos Óculos Gioconda Giani, que reúne mais de 700 peças históricas – originais ou réplicas – que vão desde o primeiro modelo de óculos usados por nobres chineses entre 400 e 500 Antes de Cristo, até peças que pertenceram a artistas brasileiros de nossa época José Wilker, Elis Regina e Rita Lee**.

              
                                                                   
Os museus convencionais, embora significativos, representam uma pequena parte da memória guardada pelo Bixiga. A extensão maior de sua história está impressa nas ruas, nas tradições, na arquitetura. Os próprios imóveis que abrigam o Museu Memória do Bixiga e o Museu dos Óculos são casarões do início do século 20 e ficam na a rua que dá acesso à escadaria pela parte de cima.

Entre as construções históricas do Bixiga está a Casa de Dona Yayá*** – considerada um símbolo da arquitetura eclética da região central de São Paulo –, onde funciona atualmente o Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo. Além do aspecto arquitetônico, esse casarão do final do século 19 guarda a história de sua proprietária que ganhou importância história por simbolizar a maneira como pacientes psiquiátricos eram tratados na época. Dona Yayá, por aprsesentar distúrbios mentais, ficou trancada nessa casa por 36 naos, sem poder abrir sequer uma janela.



Outro importante exemplo é a Vila Itororó – um conjunto arquitetônico com mais de dez edificações, construído por um filho de portugueses, que chegou a abrigar um clube, fazendo história no bairro e em toda São Paulo. Em processo de restauração desde 2013, o local funciona hoje como um centro cultural temporário administrado pela Prefeitura****.


Resta falar dos Arcos da Rua Jandaia - um muro de arrimo construído por imigrantes italianos no início do século 20 (segundo a Prefeitura), ou no fim do século 19 (segundo alguns historiadores), que ficou anos encoberto por sobrados erguidos em sua frente. Só foi descoberto, acidentalmente, em 1987, quando o prefeito Jânio Quadros mandou derrubar os sobrados para construir uma ligação entre duas grandes vias da cidade: a avenida 23 de maio e a ligação Leste-Oeste. A descoberta encantou São Paulo. Os arcos foram restaurados, iluminados e ganharam um jardim. A área que fica em frente aos arcos foi batizada como Praça dos Artesãos Calabreses em homenagem a seus construtores.



O Bixiga do movimento teatral


A história do Bixiga é contada também pelos teatros, pois foi em seu território que nasceram algumas das mais importantes companhias e casas de espetáculo de São Paulo. O primeiro deles foi o extinto Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, criado em 1948 pelo industrial e dramaturgo amador italiano Franco Zampari. Embora receba críticas por ter sido criado a partir de um modelo importado, com profissionais trazidos do exterior, o TBC é tido por muitos como um divisor de águas na história do teatro brasileiro.


Além da profissionalização dos atores, o teatro é considerado o berço de importantes iniciativas na área das artes cênicas. Nele foram gestados, por exemplo, o Teatro de Arena e o Teatro dos Sete, formado por Fernanda Montenegro, Giani Ratto, Ítalo Rossi e Sérgio Britto. Foi também em seu espaço que nasceram os embriões da Companhia de Cinema Vera Cruz e da Escola de Arte Dramática (EAD), que acabou sendo incorporada pela Universidade de São Paulo- USP.


Em 1956, foi a vez do Teatro Bela Vista, criado pelo casal de atores Sérgio Cardoso e Nydia Lícia. O novo teatro ocupou o lugar do Cine Espéria que estava abandonado e foi descoberto pelos dois em um passeio durante a madrugada. O atual Teatro Sérgio Cardoso, criado em 1980, foi batizado em homenagem ao ator, morto oito anos antes, e é considerado uma continuação do Teatro Bela Vista.

Teatro Oficina

No início da década seguinte, o Bixiga recebeu o Teatro Oficina e o Teatro Ruth Escobar, ambos com propostas que abarcavam uma ampla atuação na área cultural. O Ruth Escobar, criado pela atriz homônima, com apoio da comunidade portuguesa de São Paulo, ainda resiste, mas foi perdendo importância com o tempo. Já o Oficina, de José Celso Martinez Correa, continua com o mesmo vigor e energia iniciais, agora sob o nome Oficina Uzyna Uzona e, embora tenha enfrentado várias ações de despeço, seu prédio é festejado internacionalmente e está tombado pelos patrimônios federal e estadual. *****


O Cineclube Bixiga



A história do bairro (ou território) está impressa, também, na memória do Movimento Cineclubista Brasileiro por meio do Cineclube Bixiga, criado em 1981 por jovens como Antônio Gouveia, Arnaldo Vuolo, Frank Ferreira e Diogo Gomes dos Santos. A ideia era abrir espaço para o cinema nacional e profissionalizar a exibição de filmes de arte, por isso foi um dos primeiros a adotar a bitola de 35mm.


Nem uma nem outra proposta foi cem por cento concretizada, mas o Cineclube do Bixiga ganhou projeção e hoje é considerado origem e inspiração do atual circuito cultural de cinema do país. Foi de sua sala, por exemplo, que saiu o então programador Adhemar Oliveira, que foi um dos fundadores do Cineclube Estação Botafogo, no Rio de Janeiro, e hoje é proprietário da Espaço de Cinema - empresa que começou com o Espaço Unibanco, em São Paulo, e hoje reúne mais de 70 salas de cinema cultural distribuídas por cinco estados.


Os cafés, das bandas e das performances



O Bixiga sempre foi e será sempre um lugar que atrai artistas e boêmios, com seus inúmeros bares, restaurantes, cantinas, teatros e casas noturnas, mas houve um momento em que a região passou a abrigar um universo bem maior de frequentadores, especialmente na Rua Treze de Maio, onde se concentravam os famosos cafés, que na verdade eram casas noturnas com música ao vivo e muita animação. Uma livraria, criada pelo psiquiatra Flávio Gikovati, acompanhava o horário dos bares e casas noturnas, abrindo no início da noite e fechando a porta somente depois que saia o último cliente.


Perto dali, na Rua Conselheiro Ramalho, rolava uma experiência mais radical: o Restaurante Cultural Madame Satã. O lugar, que virou 'point' da chamada 'geração perdida', reunia músicos e performers dos mais diversos estilos, tendo como únicas regras o espírito underground e a liberdade de expressão. Por ali passaram inúmeros músicos, atores, dançarinos, DJs e bandas como Ira, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Jardim das Delícias, entre outras.


O Bixiga do Século 21




A moda passou, a Rua Treze de Maio não fervilha mais como na década de 1980, mas o Bixiga continua, de um lado, com suas cantinas, bares, padarias e festas tradicionais, e de outro, com sua veia underground, impressa, principalmente, em espaços culturais e casas noturnas. A Festa da Achiropita, realizada desde 1926 durante o mês de agosto, cresce a cada ano, chegando a reunir cerca de 200 mil pessoas em cada fim de semana. Mas, no mesmo espaço, em frente à igreja, agora tem também Samba da Treze, uma roda comandada pelo grupo Madeira de Lei, que acontece todas as sextas, a partir das 20h - pelo menos acontecia antes da pandemia. E, reforçando a união entre negros e branncos, a escadaria que ligava os dois grupos no início do século 20 agora é palco de sessões de Jazz e Blues, uma vez ao mês, nas tardes de sábado, dividindo o público com a tradicional Feira de Antiguidades do Bixiga.


Alguns elementos do passado continuam lá, mas já incorporam elementos atuais. Caso, por exemplo, das barbearias, que embora tentem reviver a tradição, com cadeiras de madeira, navalhas e toalhas quentes, utilizam cosméticos modernos e dividem espaço com lojas, estúdios de Tatoos, e até com bares e restaurantes. Um desses negócios, o Central Panelaço, é uma mistura de loja e restaurante vegano comandado por João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão, e sua mulher Viviana Torrico, e onde se vende de vinis a tênis antigos, de pôsters de bandas de rock a produtos veganos.


O Bixiga abriga também, seguindo a sua veia de diversidade e engajamento social, o Espaço Cultural Latino Americano (Ecla), e um dos mais famosos empreendimentos de refugiados de São Paulo, o Espaço Cultural, Bar e Restaurante Árabe Al Janiah, que além de pertencer a um palestino, promove noites temáticas com refugiados de vários países.


Assim é o Bixiga. Um território que não existe oficialmente e não corresponde integralmente ao bairro da Bela Vista, onde fica sua maior extensão. Leva o apelido do dono da chácara que antecedeu sua urbanização - um homem chamado assim pelo fato de vender bexiga de boi ou porque tinha o rosto marcado por cicatrizes da varíola, não se sabe ao certo. É um lugar simbólico, onde sempre coube e provavelmente sempre caberá gente de todas as origens, raças, religiões e posições políticas. Onde as tradições convivem em paz com os movimentos vanguardistas e revolucionários. Talvez sua melhor definição seja aquela dada por Arnando Puglise, seguramente seu maior divulgador: "O Bixiga é um estado de espírito".


* O bixiga não é um bairro, como veremos adiante.
** Breve teremos matéria sobre o Museu dos Óculos aqui no blog.
*** Breve teremos matéria sobre a Casa de Yayá aqui no blog.
**** Leia, aqui no blog, matéria sobre a Vila Itororó.
*****Leia, aqui no blog, matéria sobre o Teatro Oficina.


Bixiga - Bela Vista - São Paulo - São Paulo - Brasil - América do Sul


Texto: Sylvia Leite
Jornalista - MTB: 335 DRT-SE / Linkedin / Lattes

Fotos:


(1,3,6,7,8, 9 e 13) Sylvia Leite
(2) Dornicke - Obra do próprio, CC BY-SA 4.0
(4) Divulgação Portal do Bixiga
(5) Divulgação site Casa Mestre Ananias
(10) Lukaaz - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0
(11) Divulgação site Teatro Oficina
(12) Blog Salas de Cinema de São Paulo.




Referências:


Consultoria:


Paulo Santiago de Augustinis - diretor do Museu Memórias do Bixiga.


Sites:


Casa Mestre Ananias
Portal do Bixiga
Salas de Cinema de São Paulo

Teatro Oficina
Teatro Ruth Escobar
Teatro Sérgio Cardoso
Vai-Vai


Artigo:

Cineclubismo no Brasil: Esboço de uma História


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Dublin
Capela dos Ossos
Casa de Pedra
Éfeso
Cordel
Teotihuacan
Laranjeiras
Teatro de Epidauro
Segóvia
Ribeira

6 comentários:

  1. Parodiando Caetano... " porque és o avesso do avesso, do avesso, do avesso, com o café Piu - Piu,e a magnifica festa de N. Sra Aqueropita, misturando culturas,linguas,raças, etnías !

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  2. Belo registro, Sylvinha!
    Assim que cheguei a São Paulo, comprei um livro sobre os bairros, sempre gostei de conhecer um pouco da história dos lugares onde morei. Mas o seu texto está mais completo que o livro, pode ter certeza. Parabéns.
    Beijo
    sonia pedrosa

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  3. Eu nasci neste bairro tenho muito orgulho do bexiga

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    1. É pra ter orgulho mesmo. Obrigada pelo comentário. Da próxima vez, por favor se identifique. Abraço!

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