25/07/2019

Gurudwara Bangla Sahib: lugar de meditação e convivência

Foto Sudeshkjain por Pixabay -  Matéria Gurudwara - BLOG LUGARES DE MEMÓRIAEntrar no Gurudwara (ou templo sikh) Bangla Sahib, em Nova Delhi, é mergulhar em um estado, aparentemente eterno, de paz e tranquilidade. Antes de cruzar o portal de entrada, é preciso descalçar os pés e cobrir a cabeça - o que estabelece uma espécie de preparação dos fiéis, ou visitantes, para entrar em contato com o lugar. Tanto no templo, como em sua área externa, tudo parece feito para dissolver diferenças sociais ou de castas - e incentivar a cooperação e a paz.

Foto Marlene Miranda - Matéria Gurudwara - BLOG LUGARES DE MEMÓRIADo lado de fora, uma enorme lagoa artificial (Sarovar) cercada por corredores repletos de arcos, já introduz a sensação de calmaria. Para os sikhs, essa água é sagrada e tem poder de cura. Para os visitantes, a sua imensidão conforta o olhar, amolece o corpo e convida à meditação.

Dentro do espaço de orações, fiéis e visitantes misturam-se, livremente, todos igualmente sentados no chão. O lugar lembra uma mesquita porque, como os muçulmanos, os sikhs não têm santos e nem cultuam imagens.

A atmosfera é de interiorização. Mesmo para quem não tem vínculos com a religião e sequer conhece seus preceitos, é impossível não sentir o impacto do ambiente, provavelmente resultante da devoção dos seguidores e da amorosidade com que se tratam mutuamente. Talvez para não distrair as pessoas dessa interiorização, as fotos são proibidas no local.

Foto Marlene Miranda - Matéria Gurudwara - BLOG LUGARES DE MEMÓRIAConvivência e compartilhamento no Gurudwara Bangla Sahib 

Assim como o salão de orações e a lagoa sagrada, a cozinha (Langar Hall) é um lugar de grande importância nos Gurudwaras. Nela, pessoas comprometidos com a religião, denominados gursihks, preparam diariamente, com a ajuda de voluntários, refeições gratuitas para serem servidas tanto a fiéis como a visitantes. Com isso, colocam em prática o compromisso religioso de dar comida a quem
Foto Marlene Miranda - Matéria Gurudwara - BLOG LUGARES DE MEMÓRIAtem fome e exercitam, pela convivência com pessoas de todas as origens e crenças, a igualdade e a fraternidade.

A comida é feita a partir de ingredientes doados e oferecida a todos que chegam. Qualquer pessoa pode fazer trabalho voluntário na cozinha sikh, por quanto tempo desejar. E quem não se sente confortável para lidar com alimentos, consegue encontrar outra forma de colaboração, como trabalhar nos serviços de limpeza ou ajudar a tomar conta dos sapatos de fiéis e visitantes.

Foto Marlene Miranda - Matéria Gurudwara - BLOG LUGARES DE MEMÓRIASikhismo: uma das maiores religiões do mundo  


No Brasil, quase não se ouve falar sobre os sikhs e há poucos deles entre nós, mas sua religião, de acordo com várias fontes - como o site Adherentes.com e a a revista Super Interessante -,  está entre as dez maiores do mundo, com pelo menos 22 milhões de adeptos.

O Sikhismo surgiu em 1.577, no Punjab - estado localizado na fronteira com o Paquistão -, como uma religião monoteísta. O Guru Nanak, seu fundador, afirmava a existência de um só Deus e acreditava que todas as religiões cultuavam a mesma divindade, o que mudava eram apenas os nomes. Para os sikhs, Nanak escolheu o nome Sat Nam, que significa Deus Verdadeiro.

Segundo boa parte dos registros, o Sikhismo nasceu de um sincretismo entre Hinduísmo e Sufismo (braço místico do Islã). A informação talvez não seja muito precisa, mas há indícios de que o Guru Nanak teve contato com as duas tradições, e sempre foi crítico dos seus enfrentamentos, argumentando que a religião deve unir e não criar animosidades, pois não existem diferenças entre os fiéis. Isso teria originado a frase, supostamente de sua autoria: "Não há hindus, não há muçulmanos".

Conta-se, ainda, que Nanak pregou para fiéis das duas religiões e muitos deles tornaram-se seus seguidores - fato que talvez esteja na origem do termo 'sikh', derivado da palavra sanscrita śikṣa, que significa discípulo ou aprendiz.


Gurudwara Bangla Sahib - Nova Delhi - Índia


Texto: Sylvia Leite
Jornalista - MTB: 335 DRT-SE / Linkedin / Lattes 
    Fotos:  
    ( 1 )  Sudeshkjain / Pixabay
    (2, 3, 4 e 5) Marlene Miranda

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    10 comentários:

    1. Sylvinha, que experiência deve ser ir a um lugar desses.... muito legal e o seu texto traduziu tudo perfeitamente! Parabéns!

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      1. É muito legal mesmo. E como é uma experiência interna, acredito que cada um sinta de um jeito.

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    2. É bem essa atmosfera de paz e de convivência solidária que está faltando no Brasil...
      Parabéns, Sylvinha, por mais uma matéria edificante!
      Grande abraço,
      Val Cantanhede

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    3. Mais uma preciosidade; obrigada Sylvia Leite

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    4. muito interessante especialmente pra mim que já estive nesse lugar!

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      1. Pensa que não sei que é você rsrs. Esqueceu de dizer seu nome. Obrigada pelo comentário.

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    5. Ouvi dizer que são vegetarianos e os homens nunca cortam os cabelos.

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      1. Obrigada pelo comentário. Que pena que você não se identificou. Mas toda quinta tem matéria nova no blog. Não perca. E da próxima vez, por favor deixe seu nome.

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